Hoje eu tive o prazer de visitar um orfanato. Minha prima está trabalhando como psicóloga numa casa de crianças chamada 'Renascer'. Eu sempre tive vontade de visitar orfanatos, fazer trabalhos voluntários, no entanto, eu nunca encontrei um próximo da minha casa, nunca fui a nenhum orfanato, creche, asilo, nem nada. Ou melhor, não tinha ido até hoje.
Engraçado que antes de sair de casa eu estava meio triste por umas coisas que estão acontecendo, na hora de ir ainda pensei que roupa vestir. Quanta futilidade!
Para ir num lugar onde as pessoas que estão lá não querem saber qual marca de roupa você está vestindo, qual carro esporte você tem e em qual faculdade você estuda. Elas só querem carinho e atenção. Assim que cheguei me deparei com alguns bebês na maternidade, mas preferi deixar essa parte pra depois, pois sei que entrando lá eu não ia querer mais sair. Ao entrar, fiquei bestificada com a reação das crianças, eu estava me preparando psicologicamente para isso, pois sabia de uma maneira geral como as coisas funcionam por lá, mas foi absolutamente incrível. As crianças estavam chupando pirulito e vinham me abraçar com a mão grudenta de doce, meu cabelo ficou todo cheio de pedaços de bala. Dane-se! Até parece que eu ia me importar com isso naquela hora. É algo muito mágico o amor e o carinho que eles tem pelas pessoas que vão lá visitar. É uma carência absurda.. algumas crianças maiores disputavam atenção enquanto as pequenas pediam colo sempre. Foi difícil dar conta do recado de tentar dar atenção para todas aquelas crianças, mas tudo valeu muito a pena, desde a calça suja por rolar no chão brincando de bola, os braços dormentes por tentar pegar dois no colo de cada vez, o cabelo grudado de doce. Aquele olhar brilhante, as lágrimas rolando pedindo atenção, uns querendo pisar nos outros tentando dizer 'oi, olha eu aqui, vem me ver'. Vê-se que o instinto de defesa dá-se desde que chegamos ao mundo. Nem todas aquelas crianças foram abandonadas, percebi que a grande maioria foi tirada da mãe por maltratos e uso de drogas. Que pena! Eles não merecem isso...
Uma criança em especial me chamou muito a atenção. Demorei um pouco para vê-la, mas assim que a peguei no colo, ela não saiu mais. Das vezes que tentei brincar com outras crianças e a pus no chão, chorou muito e me olhava com seus olhos grandes, verdes e brilhantes, meu coração mole não aguentava ao ver lágrimas em seus olhos. Seu nome é Eliane, não deve ter nem um ano. Seus coleguinhas apelidaram-a carinhosamente de Cica (Cicarelly) e é mesmo muito parecida, tirando a coloração escurecida dos seus cabelos. Sei que me apaixonei por ela e não consigo imaginar como uma mãe se sentiria por perder uma preciosidade dessas, que tem até uma outra irmã nesse mesmo orfanato. Quando tive que vir embora a coloquei no berço e ela pôs-se a chorar e pra falar a verdade, eu também engoli um choro calado. No próximo dia de visita - sábado - estarei lá outra vez. Chegando em Itaperuna vou procurar um orfanato por lá também, porque sinceramente, foi uma emoção única da qual eu não vou me esquecer jamais.
Quem nunca visitou um cantinho especial assim, deixo aqui a dica. É uma ótima ideia!
Beijos e abraços, R.